Inteligência Artificial
IA, água e hidrogênio natural: a nova disputa energética
Data centers consomem muita energia e, em alguns projetos, também grandes volumes de água. Mas novas tecnologias podem reduzir esse impacto — e até transformar a água em coproduto da geração elétrica.
A expansão da inteligência artificial está acelerando a construção de data centers. Esses complexos concentram milhares de processadores, consomem muita eletricidade e produzem calor continuamente.
Parte deles usa água em sistemas de refrigeração, principalmente quando depende de torres evaporativas. Mas não existe um único modelo de data center: o consumo varia conforme a tecnologia, o clima, a matriz elétrica e o sistema de resfriamento.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas quanto de água a IA consome.
Também precisamos perguntar se os data centers do futuro poderão produzir energia, calor e água no mesmo sistema.
A natureza produz novas moléculas de água
A maior parte da água da Terra é antiga e circula pelo planeta há bilhões de anos. Isso não significa que todas as moléculas de H₂O sejam as mesmas desde a formação do mundo.
Novas moléculas surgem quando hidrogênio e oxigênio se recombinam.
Isso acontece:
- em nuvens moleculares no espaço;
- durante reações químicas e geológicas;
- na combustão;
- em células a combustível;
- e até dentro do corpo humano.
Nas mitocôndrias, a oxidação dos alimentos produz aproximadamente 200 a 350 mililitros de água metabólica por dia. O hidrogênio vem principalmente dos nutrientes e o oxigênio, da respiração.
Essa produção, porém, não substitui a hidratação. O organismo continua precisando obter água por bebidas e alimentos.
O carro que fabrica água
O Toyota Mirai, movido a hidrogênio, mostra esse processo de forma visível.
Na célula a combustível, o hidrogênio reage com o oxigênio e produz:
eletricidade + calor + água.
Em aproximadamente 100 quilômetros, o veículo pode formar cerca de 7 a 8 litros de água.
Isso equivale a várias semanas da água metabólica produzida por uma pessoa.
Não é milagre. É eletroquímica.
A água liberada pelo veículo, entretanto, não deve ser considerada automaticamente potável. Para qualquer uso, seriam necessários coleta, análise e tratamento.
E se essa tecnologia alimentasse um data center?
Em escala industrial, o volume se torna muito maior.
Um sistema de célula a combustível fornecendo continuamente 1 megawatt de eletricidade poderia formar, em uma estimativa de ordem de grandeza, aproximadamente 11 mil a 13 mil litros de água por dia.
Essa água poderia ter usos técnicos, como:
- refrigeração;
- limpeza industrial;
- água de processo;
- reposição de circuitos fechados.
Mas só teria valor real se fosse capturada, armazenada, analisada e tratada.
Portanto, chamar um data center de “mina de água doce” ainda seria exagero. O mais correto seria falar em água como coproduto potencial da geração elétrica.
Por que o hidrogênio natural muda a discussão?
Grande parte do hidrogênio usado atualmente é fabricada com gás natural ou eletricidade.
O hidrogênio natural é diferente: ele já existe no subsolo, formado por processos geológicos, como reações entre água e rochas ricas em ferro.
Depois de produzido, o gás precisa migrar e ficar preso em estruturas subterrâneas. Para virar uma jazida comercial, precisa existir em quantidade, concentração, pressão e vazão suficientes.
O caso mais conhecido está em Bourakébougou, no Mali, onde um poço encontrou gás com alta concentração de hidrogênio. Desde 2012, parte dele é usada para gerar eletricidade local.
O exemplo mostrou que o hidrogênio natural não é apenas uma hipótese de laboratório.
Energia para 200 anos?
Modelos geológicos sugerem que o subsolo do planeta pode conter aproximadamente 5,6 trilhões de toneladas de hidrogênio natural.
A maior parte provavelmente nunca será explorada, por estar profunda, dispersa ou fora de condições economicamente viáveis.
Ainda assim, uma fração inferior a 2% dessa estimativa poderia atender por cerca de 200 anos à demanda mundial projetada de hidrogênio em cenários de descarbonização.
Isso não significa toda a energia do planeta por dois séculos.
Também não significa que essas reservas já estejam comprovadas.
Existe uma diferença entre:
recurso estimado, aquilo que pode existir;
recurso recuperável, aquilo que a tecnologia pode alcançar;
reserva comprovada, aquilo que foi medido e pode ser produzido comercialmente.
A Nvidia quer usar líquido a 45°C
A refrigeração também está mudando.
A Nvidia apresentou uma arquitetura para suas futuras fábricas de IA em que o líquido refrigerante poderá chegar aos equipamentos a cerca de 45°C e retornar próximo de 55°C.
Parece estranho resfriar computadores com líquido morno. Mas a temperatura mais alta facilita a retirada do calor sem depender tanto de chillers e torres evaporativas.
Em determinados climas, sistemas fechados podem reduzir fortemente a perda de água por evaporação.
O calor capturado ainda pode ser reaproveitado em edifícios, processos industriais ou redes de aquecimento.
E o Brasil?
Pesquisas já encontraram hidrogênio natural em áreas da Bacia do São Francisco, inclusive com concentrações relevantes em alguns registros.
Isso mostra que o Brasil possui condições geológicas promissoras.
Mas ainda faltam:
- mais perfurações;
- testes de vazão;
- estimativas de volume;
- avaliação de custos;
- comprovação comercial.
Também não existe evidência de que a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, a AMAS, seja a assinatura de uma gigantesca reserva de hidrogênio.
A AMAS é uma região onde o campo magnético da Terra está mais fraco. Ela pode ajudar a levantar perguntas geofísicas, mas não substitui poços, análises de rochas e testes de produção.
A anomalia pode inspirar a hipótese. Quem responde é a perfuração.
Nem apocalipse, nem milagre
A discussão sobre IA costuma oscilar entre dois extremos: de um lado, a tecnologia apresentada como solução para tudo; de outro, campanhas que transformam qualquer problema em sinal do fim da humanidade.
A história dos “milhões de livros raros destruídos pela IA” é um exemplo. Houve compra, desencadernação e digitalização destrutiva de milhões de livros impressos. Isso merece debate sobre direitos autorais, preservação e transparência.
Mas não há prova de uma destruição sistemática de milhões de manuscritos únicos e patrimônios raros.
A crítica à IA não precisa de exageros para ser legítima.
A pergunta que permanece
O hidrogênio natural pode oferecer energia firme, água como coproduto e menor emissão de carbono.
O resfriamento líquido pode reduzir o uso de água nos data centers.
Mas nenhuma dessas soluções elimina a necessidade de regulação, monitoramento ambiental, controle de vazamentos e avaliação econômica.
Caso o Brasil confirme grandes reservas de hidrogênio natural, será necessário decidir onde usar esse recurso primeiro:
data centers, siderurgia, fertilizantes, transporte ou geração elétrica?
O futuro da inteligência artificial não será definido apenas pelos algoritmos.
Será definido pela energia, pela água e pelas escolhas políticas que sustentarão sua infraestrutura.
Inteligência Artificial
Anthropic: a primeira startup de US$ 1 trilhão?
A empresa que vende “segurança” enquanto compra escala planetária
A Anthropic está no centro de uma hipótese que há poucos anos pareceria delírio de mercado: tornar-se a primeira startup privada avaliada perto de US$ 1 trilhão. A companhia ainda não confirmou oficialmente essa marca. O dado mais sólido, anunciado pela própria empresa, é a rodada de US$ 30 bilhões de fevereiro de 2026, que colocou sua avaliação pós-investimento em US$ 380 bilhões. Mas reportagens recentes indicam que investidores já discutem ofertas que poderiam levar a empresa para a faixa de US$ 850 bilhões a quase US$ 1 trilhão, com uma possível captação de até US$ 50 bilhões.
A pergunta jornalística, portanto, não é apenas “quanto vale a Anthropic?”. É outra: que tipo de poder econômico, político, energético e cultural está sendo empacotado como uma startup de IA?
Fundada em 2021 por ex-integrantes da OpenAI, incluindo os irmãos Dario e Daniela Amodei, a Anthropic nasceu com discurso de “segurança em IA” e virou uma das empresas mais disputadas do Vale do Silício. Seu produto mais conhecido, o Claude, concorre diretamente com o ChatGPT, mas a companhia tem apostado de forma agressiva no mercado corporativo, em ferramentas de programação e em contratos de infraestrutura. A Wikipédia registra a empresa como uma companhia privada de inteligência artificial sediada em San Francisco, criada por antigos membros da OpenAI e estruturada como uma public benefit corporation, ou seja, uma corporação que declara perseguir também objetivos de benefício público.
A escalada: de startup de segurança a potência financeira
A curva de valuation da Anthropic é um retrato do novo capitalismo da IA. Em março de 2025, a empresa anunciou uma rodada Série E de US$ 3,5 bilhões, com avaliação pós-investimento de US$ 61,5 bilhões. Em setembro de 2025, levantou mais US$ 13 bilhões, chegando a US$ 183 bilhões. Em fevereiro de 2026, veio a rodada Série G: US$ 30 bilhões captados e valuation de US$ 380 bilhões.
Esse salto não é apenas financeiro. Ele revela uma mudança estrutural: a IA deixou de ser produto de software e virou infraestrutura civilizacional. Para treinar e operar modelos como o Claude, é preciso energia, chips, data centers, nuvem, contratos com big techs e um fluxo contínuo de capital. A empresa que se vende como laboratório de segurança tornou-se dependente de alianças com gigantes como Amazon, Google, Nvidia, Broadcom e outros fornecedores de capacidade computacional.
A Amazon, por exemplo, completou em 2024 um investimento de US$ 4 bilhões na Anthropic e depois ampliou a parceria, elevando seu compromisso total divulgado para US$ 8 bilhões, enquanto a Anthropic passou a usar a AWS como parceira central de nuvem e treinamento.
O Google também aparece como peça-chave. A empresa já havia investido na Anthropic e, segundo reportagens, voltou a ampliar sua aposta. Em outubro de 2025, a Associated Press noticiou um acordo multibilionário pelo qual a Anthropic teria acesso a até 1 milhão de TPUs do Google, com mais de 1 gigawatt de capacidade computacional prevista para 2026.
O “trilhão” ainda é promessa — mas promessa também move mercados
Até aqui, o número oficial é US$ 380 bilhões. O trilhão é, por enquanto, um horizonte em negociação. O Financial Times reportou que a Anthropic avalia uma rodada de até US$ 50 bilhões que poderia empurrar sua avaliação para perto de US$ 1 trilhão. O Wall Street Journal, por sua vez, relatou ofertas de investimento que avaliariam a companhia acima de US$ 900 bilhões, em meio a uma explosão de receita e adoção corporativa.
Aqui está o ponto editorial: valuation não é faturamento, não é lucro, não é impacto social medido, não é regulação democrática. Valuation é uma aposta. E, no caso da Anthropic, uma aposta alimentada pela crença de que a empresa poderá ser uma espécie de sistema operacional da economia cognitiva: programação, atendimento, análise jurídica, automação administrativa, pesquisa científica, educação, segurança cibernética e, eventualmente, trabalho intelectual em escala industrial.
Se essa aposta se confirmar, a Anthropic não será “apenas” uma startup. Será uma camada privada de mediação entre humanos, empresas, governos e informação.
A contradição central: segurança como marca, expansão como prática
A Anthropic construiu sua imagem pública em torno de IA segura, interpretável e controlável. Seu próprio site se define como uma empresa de pesquisa e segurança em IA dedicada a construir sistemas “confiáveis, interpretáveis e direcionáveis”.
Mas a prática empresarial conta uma história mais ambígua. Quanto mais a empresa cresce, mais precisa de dados, energia, chips, servidores, clientes corporativos e influência regulatória. A promessa de prudência convive com uma corrida de escala. A segurança, nesse cenário, pode ser tanto uma ética quanto uma vantagem competitiva: quem convencer o mercado de que sua IA é mais “segura” ganha acesso a bancos, governos, hospitais, escritórios jurídicos e grandes corporações.
A Anthropic também criou mecanismos de governança diferenciados, como o Long-Term Benefit Trust, citado na Wikipédia como uma estrutura ligada ao desenvolvimento responsável de IA avançada em benefício de longo prazo da humanidade. O problema é que, em uma empresa avaliada em centenas de bilhões de dólares, a pergunta inevitável é: quem controla o “benefício da humanidade” quando a humanidade não tem assento na mesa?
O dinheiro antigo da crise cripto
Antes de Amazon, Google e fundos soberanos, há uma sombra incômoda no cap table da Anthropic: a FTX. Em 2022, a Anthropic recebeu um investimento de US$ 500 milhões ligado à FTX de Sam Bankman-Fried, segundo registros amplamente citados. A Wikipédia aponta esse aporte como parte de uma rodada de US$ 580 milhões em abril de 2022.
A falência da FTX transformou essa participação em ativo disputado no processo de recuperação. Reportagens de mercado apontaram que a fatia da FTX na Anthropic foi posteriormente vendida em meio ao processo de falência, gerando recursos para credores.
A ironia é histórica: uma das empresas mais “responsáveis” da IA recebeu capital inicial relevante de um ecossistema cripto que depois virou símbolo de fraude, colapso e desregulação. Isso não torna a Anthropic culpada pelos crimes da FTX. Mas expõe uma engrenagem do capitalismo tecnológico: o dinheiro circula primeiro; a narrativa moral vem depois.
Direitos autorais: a biblioteca fantasma por trás da inteligência artificial
A Anthropic também se tornou personagem central da guerra entre IA e direitos autorais. Em 2025, um juiz federal dos EUA decidiu que o uso de livros para treinar modelos poderia ser considerado fair use em determinadas condições, mas também apontou que a empresa teria usado milhões de cópias piratas em uma biblioteca central, questão que não foi protegida pela mesma lógica.
O caso evoluiu para um acordo histórico. A Associated Press noticiou a aprovação preliminar de um acordo de US$ 1,5 bilhão entre Anthropic e autores/publishers, cobrindo cerca de 465 mil livros, com pagamento estimado de aproximadamente US$ 3 mil por obra.
Essa é uma das partes mais importantes da investigação. O discurso público da IA costuma dizer: “o modelo aprendeu”. Mas a pergunta materialista é: aprendeu com o quê, com quem e sob quais condições? Se livros, textos, fóruns, códigos e obras culturais alimentam sistemas bilionários, então a IA não nasce do nada. Ela nasce de uma gigantesca extração cultural — muitas vezes sem remuneração, consentimento ou transparência.
A energia escondida no chatbot
A interface do Claude parece limpa: uma caixa de texto, uma resposta elegante, um assistente aparentemente imaterial. Mas por trás dela há data centers, chips, contratos de energia e uma disputa geopolítica por capacidade computacional.
A AP reportou que o acordo da Anthropic com o Google envolve capacidade superior a 1 gigawatt em 2026, uma escala comparável ao consumo de centenas de milhares de residências. O Financial Times também noticiou que a Anthropic buscou capacidade computacional adicional em acordos de grande porte, inclusive com infraestrutura ligada à SpaceX/xAI.
Esse é o lado menos “mágico” da inteligência artificial: ela consome eletricidade, água, semicondutores, terras, redes e subsídios. A IA generativa é apresentada como nuvem; na prática, é mineração de energia organizada por capital de risco.
A startup que talvez já não seja startup
Chamar a Anthropic de startup é tecnicamente correto: ela é privada, jovem, não abriu capital. Mas a palavra “startup” começa a esconder mais do que revela. Uma empresa com valuation oficial de US$ 380 bilhões, investidores como Amazon e Google, dezenas de bilhões captados e ambição de infraestrutura global já opera em escala de quase Estado.
A diferença é que Estados, ao menos em tese, respondem a constituições, eleições, tribunais e controles públicos. A Anthropic responde a acionistas, contratos, termos de serviço, conselhos e estruturas internas de governança. Sua “constituição” de IA, seu discurso de segurança e seus mecanismos de benefício público podem ser importantes, mas não substituem controle democrático.
O New Yorker resumiu bem a tensão ao discutir a ideia de uma “constituição” para IA: há uma transferência simbólica de responsabilidade pública para empresas privadas de tecnologia.
Por que a Anthropic pode valer US$ 1 trilhão?
Há quatro razões principais.
Primeiro, receita corporativa. A empresa vem crescendo com clientes empresariais, especialmente por meio do Claude e de ferramentas como Claude Code, voltadas para programação e automação de trabalho técnico. Reportagens recentes indicam crescimento explosivo da receita anualizada, embora esses números devam ser tratados como dados de mercado não auditados publicamente.
Segundo, posição estratégica. A Anthropic virou alternativa de peso à OpenAI. Para empresas e governos que não querem depender de um único fornecedor de IA, Claude aparece como opção premium.
Terceiro, alianças com big techs. Amazon e Google não são investidores passivos: são fornecedores de infraestrutura, canais de distribuição e, ao mesmo tempo, interessados em não deixar a OpenAI/Microsoft monopolizar o mercado.
Quarto, expectativa de captura do trabalho intelectual. A aposta do trilhão depende da ideia de que sistemas como Claude deixarão de ser “chatbots” e se tornarão trabalhadores digitais: programadores auxiliares, analistas, agentes de escritório, consultores, revisores, pesquisadores, atendentes e operadores de processos.
Mas o que pode derrubar essa narrativa?
A Anthropic enfrenta riscos enormes.
O primeiro é jurídico: direitos autorais, privacidade, uso de dados, responsabilidade por danos e contratos com clientes regulados. O acordo de US$ 1,5 bilhão com autores mostra que o custo da coleta de dados pode ser maior do que o mercado gostaria de admitir.
O segundo é energético e infraestrutural: sem chips e energia, não há IA de fronteira. A empresa depende de parceiros que também são potenciais competidores ou gatekeepers.
O terceiro é político: governos podem endurecer regras de segurança, transparência, competição e soberania digital.
O quarto é econômico: valuations privados podem inflar antes de uma abertura de capital. O trilhão pode ser uma antecipação racional — ou uma bolha sofisticada.
O que está em jogo para a sociedade
A história da Anthropic não é apenas a história de uma empresa que cresceu rápido. É a história de uma transição: o conhecimento produzido socialmente — livros, códigos, conversas, pesquisas, imagens, fóruns, documentos — sendo reempacotado como infraestrutura privada de inteligência.
O nome “Anthropic” remete ao humano. Mas o paradoxo é evidente: quanto mais essas empresas prometem ampliar capacidades humanas, mais concentram poder sobre os meios de produzir, organizar e automatizar conhecimento.
Se a Anthropic chegar a US$ 1 trilhão, será vendida como triunfo da inovação. Mas também deverá ser lida como alerta: uma companhia privada, com pouco mais de cinco anos de existência, poderá valer mais do que economias nacionais inteiras, operando uma tecnologia que interfere diretamente em trabalho, cultura, educação, segurança e política.
Conclusão editorial
A Anthropic pode se tornar a primeira startup de US$ 1 trilhão. Mas a manchete correta talvez seja outra:
A primeira startup de US$ 1 trilhão será também a primeira corporação privada a vender governança da inteligência como serviço.
A pergunta que fica para reguladores, trabalhadores, criadores, jornalistas e movimentos sociais não é se Claude escreve bem, programa melhor ou responde com polidez. A pergunta é: quem será dono da inteligência coletiva quando ela for convertida em produto, assinatura e infraestrutura?
Porque, no fim, a Anthropic não está apenas disputando mercado com a OpenAI. Está disputando o futuro da mediação entre humanidade e conhecimento. E esse futuro, se for decidido apenas por fundos, big techs e contratos de nuvem, pode custar muito mais do que US$ 1 trilhão.